Minha primeira transa foi com a Rita de Cássia, irmã do Gambá. Um cara mais velho e meio lerdo, sempre fedendo a cecê, que embora não fizesse parte da turma passava bastante tempo com a gente.
Era famoso por ter girado no pelo pescoço uma das galinhas poedeiras da mãe após tê-la matado de amor.
E atirado meio sem rumo.
Para o ar.
Sem contar que a diaba pudesse ficar enroscada nos galhos mais altos da goiabeira plantada à porta da cozinha.
Era famoso por não ter tido coragem de subir.
E pelo bicho ter começado a feder.
E.
Lembro da reação do meu padrinho ao ouvir pela primeira vez a voz grossa meio molenga dele em casa.
_Olha as amizades – resmungou. E em alto e bom som: “Não bastasse a pretaiada, agora um retardado”.
(Estava entranhado nas veias)
(Mussolini)
Acho que não só a minha primeira transa, como a de meio mundo foi com Rita.
Que sofria de algum distúrbio.
Impossível.
Sexo compulsivo era fichinha.
Depois de fornicar com seis moleques num barracão abandonado ainda tinha fôlego para nos econtrarmos mais tarde.
Eu sempre mais reservado.
Nada de sexo grupal.
Troca-troca.
Arranha-arranha.
Muita putaria nunca foi comigo.
Concessão máxima aos fins de tarde lânguidos nos galhos da árvore lendária.
Aos campeonatos de mijo no Biriguizinho.
Não que estes últimos contivessem qualquer erotismo. Se bem que é no mínimo freudiano – no mau sentido – esse negócio da molecada viver se mostrando.
Será que gordinha como era Maria teria problemas com sua iniciação?
Tomara que não atrapalhasse.
A minha iniciação foi ok.
A Rita de Cássia uma fada, apesar de tudo.
(Ou Maria já teria sido iniciada?)
(Jesus!, afasta de mim os pesnsamentos sórdidos)
Meu padrinho ficava fodido não só com o Gambá, que metido com o sexo animal quase nunca aparecia.
Coincidência terem se encontrado.
Talvez tivesse vindo buscar alguma das fitas k7 com gravações de Fm que a irmã trazia pra gente ouvir no meu quarto ou outra porcaria qualquer emprestada.
Ficava fodido com tudo.
Quer ver eu me trancar no quarto com a Rita ouvindo as tais fitas.
Aí sim estrilava.
_Esse moleque vai acabar engravidando a menina.
Enquanto a madrinha, paciência de Jó: “Deeeixa, Irineu, é a idade”.
_Deixa!?
_É..., deixa.
_Você vai ver o deixa. (Toc, toc, toc) – batia. – Quer fazer o favor de abrir essa porra!
Era o tipo de homem que se pertencesse ao reino animal seria um desses laboriosos, que vivem embaixo da terra.
Ou um desses ligeirinhos.
Talvez um castor.
Sob a pele muito branca, em qualquer parte do corpo para a qual se atentasse, minúsculos vasinhos. Trincos finíssimos numa porcelana antiga. Daí a impressão de que se não manuseado com muito cuidado despedaçaria.
Tudo bem que galgasse brincando a maldita torre onde todos os outros se cagavam.
Das duas uma: a velha tese do hipnótico nas hóstias, ou paixão mesmo. Que é afinal o que move o mundo, encanta reis e Papas. Faz o ouro mudar de mãos.
Era falar do relógio.
Do tamanho das engrenagens.
Do modo como se dava corda.
Do óleo alemão com o qual lubrificava a ponta dos eixos, e seu semblante se ilumiva.
Ficava fodido também com as nossas sumidas. Não mais pelo mato, a essa altura estávamos em outra. Todo mundo estudando de noite, atrás de trampo, das menininhas. Capazes de tudo por uma moto.
Até o Gambá entrou para a Guarda Municipal.
A Rita?
Logo passou.
Uma chuva de verão.
Mal chegamos, eu e o moleque fomos direto estrear as redes.
Malha sete.
70 metros cada.
Disseram na casa de pesca que eram ideais para peixe pequeno. Armar no barranco.
140 metros para estender, portanto.
Barranqueando.
João numa bóia amarela. Cadeirinha de faixas trespassadas no oco do meio.
Um pára-quedista pendurado n’água.
Pés livres para navegar.
O Riviera Santa Bárbara também era coisa do Péricles e do Munir.
Antes uma fazenda.
Terras compradas de gente com nome antigo.
De Monte Aprazível.
O casarão da antiga sede ainda lá para comprovar. No topo da colina.
Varanda com pilares de aroeira dando para o rio. Uma mesa de madeira rústica que dois homens solitos sequer moveriam e bancos compridos onde aos domingos, antes de falência, deviam almoçar leitãozinho à pururuca.
É onde fazem hoje as reuniões de condomínio das quais nunca participo.
Não tenho saco para essas coisas.
Saco para vizinho.
Presentearam-nos com o terreno, os dois sacanas: “Ao casal, pelo aniversário de dez anos”. Devem ter se sentindo muito felizes pela nova chance na manhã seguinte ao acontecido no puteiro,
Eu e a Silvia reatando.
Vão-se quase quatro anos.
A Maria não completou quatorze.
Depois das redes armadas subimos pelo pasto mesmo com as estúpidas vacas atravancando.
Deviam pensar que estavam na Índia.
As folgadas.
Como se tivéssemos que reverenciar o bife nosso de cada dia.
Mas de qualquer modo, subir.
Eu com um galho de assa-peixe na mão.
Meu companheiro de aventuras falando de personagens de desenho animado que eu não conhecia.
E ao entardecer, deitados na rede, eu devidamente calibrado com a pinga para a qual os pedreiros encontravam sempre novo esconderijo, admirar os gaviões caçando no campo.
O modo como pairam no ar com habilidade incrível.
Os ombros tensos.
As asas numa improvável envergadura.
Para então se atirarem.
Ou caírem.
Ou se deicharem cair.
(Difícil saber)
Armados.
Cutelo numa mão, enquanto a outra, a mão do Capitão Gancho.
Na terceira mão um canivete suíço completamente aberto.
Tachos ciganos de cobre batido na quarta.
Na quinta, fogo e especiarias.
Talheres na sexta mão.
Pobre daquilo em que sentassem mira.
No outro dia...
_João.
_Hummm.
_Precisamos ir tirar os peixes.
Vira-se.
_Anda logo.
_Caaallma, cê tá muito impaciente.
_Impaciente?
_...
_Ôôô – chacoalho.
Ele se levanta pelo lado contrário e é muito engraçado vê-lo rumar para a parede.
Tromba.
Cai sentado.
Ajudo a se levantar.
Mando ir beber leite.
Ele reclama.
(augusto fiorin)
Era famoso por ter girado no pelo pescoço uma das galinhas poedeiras da mãe após tê-la matado de amor.
E atirado meio sem rumo.
Para o ar.
Sem contar que a diaba pudesse ficar enroscada nos galhos mais altos da goiabeira plantada à porta da cozinha.
Era famoso por não ter tido coragem de subir.
E pelo bicho ter começado a feder.
E.
Lembro da reação do meu padrinho ao ouvir pela primeira vez a voz grossa meio molenga dele em casa.
_Olha as amizades – resmungou. E em alto e bom som: “Não bastasse a pretaiada, agora um retardado”.
(Estava entranhado nas veias)
(Mussolini)
Acho que não só a minha primeira transa, como a de meio mundo foi com Rita.
Que sofria de algum distúrbio.
Impossível.
Sexo compulsivo era fichinha.
Depois de fornicar com seis moleques num barracão abandonado ainda tinha fôlego para nos econtrarmos mais tarde.
Eu sempre mais reservado.
Nada de sexo grupal.
Troca-troca.
Arranha-arranha.
Muita putaria nunca foi comigo.
Concessão máxima aos fins de tarde lânguidos nos galhos da árvore lendária.
Aos campeonatos de mijo no Biriguizinho.
Não que estes últimos contivessem qualquer erotismo. Se bem que é no mínimo freudiano – no mau sentido – esse negócio da molecada viver se mostrando.
Será que gordinha como era Maria teria problemas com sua iniciação?
Tomara que não atrapalhasse.
A minha iniciação foi ok.
A Rita de Cássia uma fada, apesar de tudo.
(Ou Maria já teria sido iniciada?)
(Jesus!, afasta de mim os pesnsamentos sórdidos)
Meu padrinho ficava fodido não só com o Gambá, que metido com o sexo animal quase nunca aparecia.
Coincidência terem se encontrado.
Talvez tivesse vindo buscar alguma das fitas k7 com gravações de Fm que a irmã trazia pra gente ouvir no meu quarto ou outra porcaria qualquer emprestada.
Ficava fodido com tudo.
Quer ver eu me trancar no quarto com a Rita ouvindo as tais fitas.
Aí sim estrilava.
_Esse moleque vai acabar engravidando a menina.
Enquanto a madrinha, paciência de Jó: “Deeeixa, Irineu, é a idade”.
_Deixa!?
_É..., deixa.
_Você vai ver o deixa. (Toc, toc, toc) – batia. – Quer fazer o favor de abrir essa porra!
Era o tipo de homem que se pertencesse ao reino animal seria um desses laboriosos, que vivem embaixo da terra.
Ou um desses ligeirinhos.
Talvez um castor.
Sob a pele muito branca, em qualquer parte do corpo para a qual se atentasse, minúsculos vasinhos. Trincos finíssimos numa porcelana antiga. Daí a impressão de que se não manuseado com muito cuidado despedaçaria.
Tudo bem que galgasse brincando a maldita torre onde todos os outros se cagavam.
Das duas uma: a velha tese do hipnótico nas hóstias, ou paixão mesmo. Que é afinal o que move o mundo, encanta reis e Papas. Faz o ouro mudar de mãos.
Era falar do relógio.
Do tamanho das engrenagens.
Do modo como se dava corda.
Do óleo alemão com o qual lubrificava a ponta dos eixos, e seu semblante se ilumiva.
Ficava fodido também com as nossas sumidas. Não mais pelo mato, a essa altura estávamos em outra. Todo mundo estudando de noite, atrás de trampo, das menininhas. Capazes de tudo por uma moto.
Até o Gambá entrou para a Guarda Municipal.
A Rita?
Logo passou.
Uma chuva de verão.
Mal chegamos, eu e o moleque fomos direto estrear as redes.
Malha sete.
70 metros cada.
Disseram na casa de pesca que eram ideais para peixe pequeno. Armar no barranco.
140 metros para estender, portanto.
Barranqueando.
João numa bóia amarela. Cadeirinha de faixas trespassadas no oco do meio.
Um pára-quedista pendurado n’água.
Pés livres para navegar.
O Riviera Santa Bárbara também era coisa do Péricles e do Munir.
Antes uma fazenda.
Terras compradas de gente com nome antigo.
De Monte Aprazível.
O casarão da antiga sede ainda lá para comprovar. No topo da colina.
Varanda com pilares de aroeira dando para o rio. Uma mesa de madeira rústica que dois homens solitos sequer moveriam e bancos compridos onde aos domingos, antes de falência, deviam almoçar leitãozinho à pururuca.
É onde fazem hoje as reuniões de condomínio das quais nunca participo.
Não tenho saco para essas coisas.
Saco para vizinho.
Presentearam-nos com o terreno, os dois sacanas: “Ao casal, pelo aniversário de dez anos”. Devem ter se sentindo muito felizes pela nova chance na manhã seguinte ao acontecido no puteiro,
Eu e a Silvia reatando.
Vão-se quase quatro anos.
A Maria não completou quatorze.
Depois das redes armadas subimos pelo pasto mesmo com as estúpidas vacas atravancando.
Deviam pensar que estavam na Índia.
As folgadas.
Como se tivéssemos que reverenciar o bife nosso de cada dia.
Mas de qualquer modo, subir.
Eu com um galho de assa-peixe na mão.
Meu companheiro de aventuras falando de personagens de desenho animado que eu não conhecia.
E ao entardecer, deitados na rede, eu devidamente calibrado com a pinga para a qual os pedreiros encontravam sempre novo esconderijo, admirar os gaviões caçando no campo.
O modo como pairam no ar com habilidade incrível.
Os ombros tensos.
As asas numa improvável envergadura.
Para então se atirarem.
Ou caírem.
Ou se deicharem cair.
(Difícil saber)
Armados.
Cutelo numa mão, enquanto a outra, a mão do Capitão Gancho.
Na terceira mão um canivete suíço completamente aberto.
Tachos ciganos de cobre batido na quarta.
Na quinta, fogo e especiarias.
Talheres na sexta mão.
Pobre daquilo em que sentassem mira.
No outro dia...
_João.
_Hummm.
_Precisamos ir tirar os peixes.
Vira-se.
_Anda logo.
_Caaallma, cê tá muito impaciente.
_Impaciente?
_...
_Ôôô – chacoalho.
Ele se levanta pelo lado contrário e é muito engraçado vê-lo rumar para a parede.
Tromba.
Cai sentado.
Ajudo a se levantar.
Mando ir beber leite.
Ele reclama.
(augusto fiorin)

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