terça-feira, 8 de junho de 2010

Onde o avestruz de JAMES ELLROY escondia a cabeça.





Era outono de 1968. Conheci um doidão na biblioteca pública de Hollywood. Ele me falou dos inaladores de Benzedrex.
Benzedrex era um descongestionante nasal vendido sem receita médica que vinha em uns tubinhos plásticos. Os tubos vinham com um chumaço de algodão embebido numa substância chamada profilexedrina. A idéia era enfiar o tubo no nariz e dar umas cafungadas, não engolir os chumaços e decolar em viagens de dez horas. Os inaladores de Benzedrex eram legais. Custavam 69 centavos.
O doidão disse que eu devia roubar uns frascos.
Curti a idéia.
Era uma fonte de anfetamina que não precisava de um fornecedor quente nem de receita médica.
Os chumaços tinham seis centímetros de comprimento e a circunferência de um cigarro. Vinham embebidos numa solução âmbar de odor tenebroso. Consegui empurrar um deles goela abaixo e tive que lutar contra a ânsia de vômito. Consegui que ficasse no estômago e ele começou a fazer afeito dali à meia hora.
Era uma doideira tããããão gostosa.
Era de estalar o cérebro e agarrar o púbis.
Eu tinha descoberto alguma coisa. Era algo que podia ser meu quando eu bem entendesse.
Me atirei àquilo de corpo e alma.
Eu roubava inaladores e viajava de três em três ou quatro em quatro dias durante o mês todo. Eu mandava os inaladores para dentro nos banheiros das bibliotecas públicas e ia zumbindo de volta para Burns Park com a cabeça raspando a lua.
Encontrei uma casa abandonada na Oitava Avenida com a Ardmore e me mudei. Tinha dois andares. Não tinha luzes do lado de dentro e nem água corrente. A sala continha um sofá bolorento de couro falsificado. O sofá era bom de dormir e agüentava bem as minhas punhetas.
Mantinha a porta da frente destrancada e colocava minhas coisas num armário quando eu saía.
Achei que estava sendo discreto. Ledo engano. Fui pego no final de novembro. Quatro policiais colocaram minha porta abaixo e saltaram em cima de mim armados. Me atiraram no chão e algemaram. Me prenderam por arrombamento com intento criminoso.
Meu companheiro de cela era um negão preso por assalto à mão armada. Roubou uma loja de bebidas, se safou sem problemas e notou que tinha deixado o pente afro cair na cena do crime. Voltou para pegá-lo. O dono da loja o reconheceu. A polícia o pegou ali mesmo.
Fiquei com medo. Aquilo era pior do que o centro juvenil de Georgia Street.
Um detetive me interrogou. Disse a ele que eu estava dormindo na casa, que eu não a tinha arrombado. Ele acreditou em mim e reduziu a acusação para invasão de domicílio pura e simples.
Um carcereiro me transferiu para a parte da cadeia destinada a pequenos delitos.
Meu medo cedeu um pouco.
Meus colegas de cela me disseram que invasão de domicílio era uma titica. Era bem capaz de me soltarem na audiência.
Passei o sábado e o domingo na cela do Tribunal de Wilshire. Nos serviam duas refeições semi-prontas e duas xícaras de café por dia. Eu estava preso na companhia de um monte de bêbados e maridos que enfiaram porrada nas esposas. Todos nós mentíamos sobre nossos crimes e sobre as mulheres que tínhamos comido.
O ônibus do xerife nos carregou para o tribunal na segunda de manhã. Nos deixou na divisão da Lincoln Heights, onde ficava a famosa cadeia de Lincoln Heights para bêbados.
Foi lá que esperamos para ver o juiz.
O dia se estendendo.
Uma dúzia de bêbados teve crise de abstinência alcoólica.
Nos apresentamos ao juiz em grupos de dez, mais ou menos. O juiz era uma mulher chamada Mary Waters. Os outros presos disseram que ela era uma velha escrota.
Me apresentei diante dela e me declarei culpado. Ela disse que eu tinha cara de quem tinha fugido do alistamento. Eu disse a ela que não tinha feito isso. Ela ordenou que eu ficasse preso, sem direito à fiança, até a análise da condicional. Eu deveria voltar ao tribunal no dia 23 de dezembro.
Era dia 2 de dezembro. Tinha três semanas de xilindró à minha frente.
Uma voz interna esboçou a situação geral pra mim. Você é grande, mas não é valente. Você comete crimes, mas não é um criminoso de verdade. Tome muito cuidado com o que faz. Tome muito cuidado com o que diz. Mantenha a calma e segure as pontas.
Eu me fiz seguir essa mensagem instintivamente. Eu não verbalizava o pensamento. Eu não sabia que a minha simples presença gritava: moleque bobo, burro, babaca e ineficaz. Os outros presos riam só de olhar para mim.
Fiz contagem regressiva. Mantive o bico calado lá no andar e prestei atenção.
Aprendi que o xarope Romilar-CF deixava a gente doidão e que pedaços de durex ao longo de uma janela revelavam a presença de um sistema de alarme. Tinha um cara na loja Cooper’s Donuts que conhecia as prostitutas negras mais quentes do pedaço. Dava para comprar droga em três filiais da Norm’s Coffee Shops. A que ficava na Melrose com a La Cienega era chamada de Norm’s de veado. A que ficava na Sunset com a Vermont era a Norm’s normal. A que ficava ao sul da cidade era a Norm’s de Crioulo. A maconha crescia solta em certas partes de Trancas Canyon.
Eu ouvia e aprendia.
Fiquei longe do álcool e das drogas e ganhei quase cinco quilos de músculos às custas da comida da cadeia.
Um supervisor da condicional veio me ver.
Ele disse que a juíza Mary Waters estava pronta para me soltar.
Minha sentença seria suspensa e eu passaria três anos na condicional.
Prometi arrumar um emprego imediatamente. Prometi andar na linha. Mary Waters me soltou dois dias antes do natal. Roubei uns inaladores na volta para Burns Park.

Aluguei um apartamento de um cômodo e me apresentei a uma agência de serviços temporários. Me deram alguns trabalhos separando correspondência. O supervisor da condicional achava minha experiência profissional satisfatória. Ele gostava dos meus cabelos curtos e das minhas roupas de garoto de faculdade de prestígio. Me mandou ficar longe dos hippies. Viviam alucinados, à base de substâncias que afetavam o funcionamento do cérebro.
Eu também.
Fazia meus trabalhos temporários de segunda à sexta. Tomava 250ml de uísque no café da manhã e bebia Listerine em cima. Sobrevivia até o almoço no piloto automático e então tomava vinho e/ou fumava maconha. Ficava bêbado todas as noites e viajava com inaladores nos fins de semana.
Romilar era uma boa droga para arrombamento com invasão. Fazia as coisas corriqueiras parecerem irreais e cheias de verdades ocultas. Eu fiz uma série de invasões com ela na cabeça. Me concentrava nos armários dos banheiros. Eu tomava todos os comprimidos convidativos em cima do xarope.
Eu gostava de parecer bem-apessoado e cosmeticamente íntegro. Todo doidão de Los Angeles em 1969 era um ímã para os canas. Usavam cabelos compridos, vestiam roupas esquisitonas e emitiam mensagens que diziam “Me Leva em Cana”. Não era o meu caso. Eu saltava entre meus mundos coexistentes com relativa impunidade. Eu era bom em dar aos outros o que queriam ver.
Fiz 21 anos em março. Entreguei meu apartamento e me mudei para um hotel vagabundo em Holywood.
Arranjei um contrato temporário na KCOP-TV.
Eu trabalhava na sala de correios.
As pessoas respondiam a anúncios para comprar merdas tipo 64 Country Hits e mandavam notas e moedas pelo correio.
O peso das moedas de vinte e cinco e dez centavos denunciavam esses envelopes.
Comecei a ganhar muito dinheiro extra.
Gastava tudo em bebida, drogas e pizza.
Tive uma batida boba com um furgão da companhia e tive que admitir que não tinha carteira de motorista. A KCOP me demitiu. Arranjei uns empregos temporários e vivi uma vida frugal. Bateu o desespero.
Minhas invasões começavam a me assustar mais do que me excitar. Eu sentia a lei da probabilidade bater nos meus calcanhares. Eu já tinha arrombado uns vinte lugares. Passei a ver mais patrulhas particulares vasculhando as ruas.
Parei de arrombar casas de vez.
Nunca mais fiz isso.
Passei o ano seguinte no purgatório da fantasia. Fiz vários serviços temporários e trabalhei numa livraria de material pornográfico. Tinham legalizado a sacanagem barra-pesada. Tinha garotas ripongas sem maquiagem estampadas nuas e em cores vivas nas páginas das revistas.
As garotas não pareciam desiludidas ou degradadas. Pareciam estar atrás de umas boas risadas e alguns trocados. Estavam envolvidas num proxenitismo hediondo. Traíam a percepção do que faziam com carinhas tristes e olhos vidrados. Essas garotas se tapeavam em algum plano metafísico de merda. Elas encontraram o caminho direto para o meu coração.
Eu era o balconista da livraria de sacanagem dispostos a salvá-las da pornografia para ser recompensado com sexo. Eu dava nomes as minhas garotas e rezava por eles todas as noites. As garotas abriam as pernas e conversavam comigo enquanto eu viajava com os inaladores Benzedrex.
Eu não me apaixonava pelas que tinham corpos perfeitos e rostinhos sapecas.
Eu amava os sorrisos que não funcionavam direito e os olhos tristes que não sabiam mentir. Traços que não combinavam entre si e seios de formatos esquisitos me atingiam em cheio.
Eu buscava intensidade sexual e psicológica.
Roubei aquela livraria até não poder mais. Trabalhava da meia-noite às oito da manhã, passava a mão numa grana e ia a um bar que passava filmes de mulher pelada o dia inteirinho.
O dono da livraria sacou que eu o roubava e me mandou embora.
Voltei a fazer serviços temporários, juntei uns trocados e passei dois meses numa farra monumental.
Comprei uma caixa de vodca, um monte de bifes e um bocado de inaladores.
Me entupi de fantasias sexuais, colesterol e as obras de Raymond Chandler, Dashiell Hammett em uns escritores policiais de merda.
Passei dias entocado.
Eu perdia, ganhava e perdia peso e me levava a um frenesi quase insano.
Comecei a ver a ouvir coisas que podiam ou não ser verdadeiras.
Eu levantava vôo e aterrissava, levantava vôo e aterrissava, levantava vôo e aterrissava.
A paranóia me assolava na proporção da droga contida no meu organismo.
Eu ouvia vozes.
As sirenes nas ruas me enviavam mensagens de ódio.
Eu batia bronha no escuro para enganar o vizinho do lado.
Ele me conhecia. Ele colocava escutas na minha geladeira. Ele envenenava meu vinho. Ligava minhas fantasias diretamente na sua televisão.
Eu dei no pé no meio de uma viagem de inalador.
Deixei minhas roupas e livros de sacanagem para trás. Saí voando daquele apartamento e andei bem rápido quase cinco quilômetros em direção ao nordeste. Vi uma placa de aluga-se na frente de um prédio na Sunset com a Micheltorena. O prédio era imundo e fedia a lixo. Aluguei um estúdio por 39 dólares mensais.
Eu me mudei para lá com as roupas do corpo e meia garrafa de T-Bird.
Na manhã seguinte mandei brasa nos inaladores.
Novas vozes investiram contra mim. O inquilino que morava ao lado começou a sibilar pela sida da ventilação.
Eu tinha medo de sair da cama. Eu sabia que as serpentinas do cobertor elétrico eram microfones. Eu as arranquei. Mijei na cama e destruí os travesseiros. Enfiei espuma nos ouvidos para abafar as vozes. Dei no pé na manhã seguinte. Fui direto para o Robert Burns Park.

Daí em diante a coisa foi ficando feia.
Foi ficando feia de acordo com uma certa lógica autodestrutiva. Foi ficando déia pouco a pouco.
As vozes iam e vinham. Os inaladores abriam a porta para elas.
A bebida e uma sobriedade forçada as calavam.
Intelectualmente eu entendia o problema.
O pensamento racional me deixava no mesmo instante em que enfiava aqueles chumaços de algodão dentro da boca.
Eu ouvia as vozes. Elas sibilavam dentro de microfones ligados ao meu cérebro. Ninguém mais as ouvia.
Psicose de anfetamina? Eu as chamava de conspiração.
Eu não conseguia parar de tomar os inaladores.
Ouvi as vozes durante cinco anos.
Passei grande parte desse tempo ao ar livre. Morei em parques, em quintais, em casas abandonadas. Eu roubei, eu bebi, eu li e fantasiei. Lia em bibliotecas. Entreva em restaurantes, pedia dinques e refeições e saía sem pagar. Adentrava lavanderias de edifícios residenciais, arrebentava as máquinas de lavar roupas e as de secar roupas e roubava as moedas lá de dentro. Eu usava os inaladores e tinha alguns bons momentos antes de ser tomado pelas vozes.
Eu andava.
Eu joguei fora cinco anos de minha vida andando.
Eles passaram como um borrão em câmera lenta. Minhas fantasias os cortaram como um contraponto em fast-forward. As cenas que eu flagrava nas ruas serviam de cenário para as vozes e para o meu próprio diálogo interno.
Eu não falava demais e não traía o meu estado de espírito abertamente. Eu sempre me barbeava e usava calças escuras para disfarçar minha imundície. Roubava camisas e meias de acordo com a necessidade e me borrifava com perfume para disfarçar o fedor da vida ao ar livre.
De vez em quando eu tomava um banho na casa do Lloyd.
Lloyd se dirigia a lugar nenhum num ritmo agradavelmente lento.
Ele bebia, usava drogas e tentava fazer faculdade. Flertava com o perigo e o submundo e mantinha a casa da mãe como última opção.
Lloyd segurou minha mão em alguns momentos horríveis de abstinência de droga. Ele me chacoalhava com pequenos choques de realidade. O DPLA me chacoalhava e me forçava a passar uns tempos na cadeia.
Eles me atormentavam e me prendiam. Me apanhavam por embriaguez, por dirigir embriagado, por furto e por invasão de domicílio. Eles me detinham por andar pelas ruas de madrugada sozinho e me expulsavam de casas desertas e de depósitos da Legião da Boa Vontade. Eles me seguravam em diversas delegacias e me mandavam cumprir entre quatro e oito meses.
A cadeia era um retiro para a minha saúde. Eu me abstinha do álcool e das drogas e fazia três refeições por dia. Fazia flexões, era designado para tarefas privilegiadas por bom comportamento e acabava ganhando alguns músculos. Eu andava com brancos idiotas, pretos idiotas e mexicanos idiotas – e trocava histórias idiotas com eles. Todos nós tínhamos cometido os crimes mais ousados e comido as mulheres mais glamourosas do mundo. Um preto bebum e mendigo me contou que tinha comido a Marilyn Monroe. Retruquei: “Caralho, sabe que eu comi ela também?!”
A cadeia limpava meu organismo e me dava algo pelo qual ansiar: ser solto, encher a cara e ter fantasias tomando drogas.
Fantasias sobre crimes. Fantasias sobre sexo.
A ruiva estava morta havia 15 anos e habitava algum lugar longínquo. Ela me encurralou no verão de 1973.
Eu estava morando em um hotel de merda. Ficava doidão com os inaladores numa banheira comunitária que ficava no mesmo corredor que meu quarto. Eu deixava a água morna cair e me apoderava da banheira por horas a fio. Ninguém reclamava. A maioria dos outros moradores usava o chuveiro.
Eu estava na banheira. Batia punheta enquanto pensava num cortejo de rostos de mulheres mais velhas. Vi minha mãe nua, lutei contra a imagem e perdi.
Bolei uma história bastante precária no mesmo instante.
Era 1958. Minha mãe não havia morrido em El Monte. Ela não era bêbada. Ela me amava como homem.
Fizemos amor.
Senti o cheiro de seu perfume e de cigarro em seu hálito.
O mamilo amputado me encheu de tesão. Afastei os cabelos dela dos olhos e disse que a amava. Minha ternura a fez chorar.
Isso me deixou envergonhado e horrorizado com o que eu tinha dentro de mim.
Tentei viver aquela história outra vez.
Minha mente não deixou.
Nem toda a droga do mundo podia trazer a ruiva de volta.
Eu a abandonei mais uma vez.

Torrei o dinheiro do aluguel e perdi o quarto. Me mudei outra vez para Burns Park.
Viajava com inaladores e travava uma guerra dentro de mim mesmo. Tentava invocar minha mãe e arranjar uma forma de fazê-la ficar. Minha mente me traía. Minha consciência fazia tudo para entrar em pane.
As vozes foram ficando muito específicas. Diziam você trepou com a sua mãe e a matou.
Eu tinha uma tolerância absurda à profilexedrina. Precisava de dez ou doze chumaços de algodão para decolar. Aquela merda estava afetando meus pulmões. Eu acordava entupido toda manhã.
Passei a ter dores no peito. Cada respiração e cada batida do coração me faziam dobrar ao meio de tanta dor. Peguei um ônibus até o hospital do condado. Um médico me examinou e disse que eu estava com pneumonia. Me internou e me deu antibióticos durante uma semana.
Saí do hospital e voltei à vida ao ar livre, à bebida e aos inaladores.
Peguei pneumonia outra vez.
Eu mesmo a curei.
Passei um ano tomando T-Bird e inaladores e acabei com delirium tremens.
Lloyd estava morando em West L.A. A primeira alucinação bateu dentro do banheiro da casa dele.
Um monstro saltou de dentro da privada. Eu fechei o tampo e vi mais monstros saírem. Aranhas subiam pelas minhas pernas. Pequenas pústulas atiravam-se na direção dos meus olhos.
Eu corri para a sala e apaguei as luzes. As pústulas eram fluorescentes. Eu assaltei o bar do Lloyd e bebi até perder os sentidos. Acordei no telhado – morto de medo.
Eu sabia que precisava parar de beber e de usar os inaladores. Sabia que iam me matar num futuro próximo. Roubei uma garrafa de bebida e peguei uma carona até o hospital do condado.
Virei a garrafa na escadaria de entrada e me internei.
Era isto ou então morrer jovem.
Eu tinha 27 anos.



(de james ellroy, que viveu experiências tão violentas quanto os personagens de seus romances, inspirados na mítica los angeles de sua juventude, povoada por gângsteres, gente corrupta, drogas e mulheres de formas fartas e caráter duvidoso. quando menino teve a mãe – jean ellroy – assassinada. na juventude foi mendigo, ladrão e viciado. preso várias vezes, mais tarde acabou sendo resgatado por seus escritos. em “meus lugares escuros” – de onde foi extraído o trecho acima –, resolvido a curar-se pelo confronto direto com suas recordações, usou o dinheiro e prestígio conseguidos para voltar a investigar o assassinato da mãe. busca verdadeiramente norteada não por descobrir a identidade do criminoso, mas, para em um longo processo de autoconhecimento, encontrar as próprias origens. o livro, assim, é dividido em quatro partes, intituladas “a ruiva”, em que revive a investigação feita na época do assassinato; “o menino da fotografia”, na qual relembra sua vida, em uma narrativa que começa na infância e vai até a descoberta da literatura; “stone”, em que descreve o detetive contratado para reabrir o caso; e, “geneva hilliker”: relato da nova investigação e seus desdobramentos, e ainda o desvendar da personalidade da mãe, por quem confessa um forte desejo sexual).

(PS: Ah!, e mais que tudo, o delicioso estilo de sua prosa, como que composto de ‘frases’ diretamente ditadas por um telégrafo)

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