
Compositora, cantora, artista plástica e ceramista, a chilena Violeta del Carmen Parra Sandoval, é considerada a maior figura do folclore, e a fundadora da música popular de seu país. Nascida em 4 de Outubro de 1917, no seio de uma família humilde e numerosa, em San Carlos, província de Ñuble; filha de um professor de música e folclorista, e de uma camponesa que cantava e tocava violão, aos nove anos Violeta começou a cantar e a tocar, e aos doze compôs as suas primeiras canções. Mais tarde, devido a dificuldades econômicas e ao pai doente, abandonou os estudos para ir trabalhar no campo. O começo da sua vida artística não foi fácil. Suas primeiras apresentações deram-se em casas modestas e bares, cantando com os irmãos, boleros românticos e toadas populares.
Em 1938 se casou com o ferroviário Luis Cereceda, com quem teve dois filhos: Isabel e Angel, parceiros com os quais veio a realizar a maior parte do seu trabalho. Separou-se em 1948, e já no ano seguinte se casou novamente. União da qual nasceram Carmen Luísa e Rosita Clara. Mas mesmo assim continuou sua viajem itinerante pelo país, atuando em circos e teatros, agora na companhia dos filhos mais velhos. Impulsionada pelo irmão Nicanor, em 1952 começou a percorrer as regiões rurais, descobrindo a poesia e os cantos populares que mais tarde compilou e gravou. Em 1954 recebeu o premio "Caupolicán", concedido a folcloristas, e no mesmo ano viajou para a Europa, para a Polônia, participar no festival da Juventude, França e União Soviética. Em Paris, onde permaneceu por dois anos, gravou os primeiros LPs, apareceu em programas de televisão e de rádio, fazendo contato com diversos artistas e intelectuais. Regressou ao Chile em 1956 para trabalhar na Universidade de Concepción, onde fundou o Museu de Arte Folclórica Chilena. Começou a fazer cerâmica e tapeçaria, a organizar recitais, escrever e pintar. Expôs seus trabalhos em Santiago, na Feira de Artes Plásticas. Publicou em 1959 um livro intitulado "Contos Folclóricos Chilenos". Em 1960, no dia do seu aniversário conheceu o músico suíço Gilbert Fevré, por quem se apaixonou. Em 1961 se mudou para a Argentina, e mais tarde, na companhia dos filhos, viajou novamente para Europa, a convite da Finlândia, para participar do Festival da Juventude, passando pela Alemanha, Áustria, Itália, França, União Soviética e Suíça. Expôs no Museu de Artes Decorativas (pavilhão de Marsan do Louvre) em Paris, tornando-se a primeira artista latino-americana a expor individualmente nesse museu. A televisão suíça gravou um documentário sobre a sua obra. Inaugurou em 1965, em La Reina, juntamente com seus filhos Isabel e Ángel, e os folcloristas Patricio Manns, Rolando Alarcón e Victór Jara entre outros, um centro cultural chamado "La Carpa de La Reina", com o objetivo de convertê-lo num local de referência para a cultura folclórica do Chile. Em 1966 viajou para a Bolívia, onde atuou de diversas apresentações com Gilbert Favré. Regressou ao Chile, e, em La Reina, escreveu suas últimas composições, e com 50 anos, no dia 5 de fevereiro, pôs termo à própria vida. Algumas fontes apontam como causa as sucessivas depressões causadas pelo fracasso do empreendimento de La Reina e por desgostos amorosos, bem como pela morte da sua filha Rosita Clara em 1954, o que nunca se saberá ao certo.
GRACIAS A LA VIDA / OBRIGADO À VIDA
Gracias a La, vida que me ha dado tanto
me dio dos lucero,s que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo, su fondo estrellado
y en las multitude,s el hombre que yo amo.
Obrigado à vida, que tem me dado tanto
deu-me dois olhos, que quando os abro
perfeitamente distingo o preto do branco
e no alto céu, o seu fundo estrelado,
e nas multidões, o homem que eu amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido, que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canários,
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.
Obrigado à vida, que me tem dado tanto
deu-me o ouvido, que em toda a amplitude
grava noite e dia grilos e canários,
martelos, turbinas, latidos, chuviscos
e a voz tão terna do meu bem amado.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
y con él las palabras que pienso y declaro
madre, amigo, herman,o y luz alumbrando
la ruta del alma del que estoy amando.
Obrigado à vida, que me tem dado tanto
deu-me o som e o abecedário
e com ele as palavras com que penso e falo
mãe, amigo, irmão, e luz iluminando
a rota da alma de quem estou amando.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
y con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos,
la casa tuya, tu calle y tu patio.
Obrigado à vida que me tem dado tanto
deu-me a marcha dos meus pés cansados
e com eles andei por cidades e charcos,
praias e desertos, montanhas e planícies,
pela tua casa, tua rua e teu pátio.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Obrigado à vida, que me tem dado tanto
deu-me o coração que se todo agita
quando vejo o fruto do cérebro humano,
quando vejo o bem tão longe do mal,
quando vejo no fundo do teus olhos claros.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
asi yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de todos, que es mi propio canto.
Obrigado à vida, que me tem dado tanto
deu-me o riso e deu-me o pranto,
assim eu distingo a felicidade da tristeza,
os dois materiais de que é feito o meu canto
e o canto de todos, que é o meu próprio canto
Gracias a la vida
Gracias a la vida
Gracias a la vida
Obrigado à vida
Obrigado à vida
Obrigado à vida
(violeta parra)

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